Ética e sustentabilidade são inevitáveis

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Por Danielle Denny

A importância da ética tem crescido constantemente, em virtude do “efeito iceberg” comum na contabilidade empresarial, a partir do séc. XX, em que aspectos tangíveis são contabilizados e o que é realmente valioso não é calculado no balanço patrimonial nem na demonstração dos resultados. Contudo, são os que mais agregam valor aos bens ou serviços oferecidos e decorrem direta ou indiretamente, em pequena ou grande medida das atitudes éticas adotadas pelas empresas.

São esses valores intangíveis: goodwill, marca, reputação, qualidade da governança, qualidade da gestão, histórico de respeito aos direitos humanos, aspectos sociais e trabalhistas e a consideração dos ecossistemas na comunidade onde a empresa opera, entre muitos outros. Assim, não se pode mais planejar, estrategicamente, sem levar em conta os temas éticos e, principalmente de sustentabilidade.

Claro que ser ético não é ser uma instituição de caridade. A empresa tem de dar lucro, mas da forma certa, socioambientalmente responsável, sem discursos dissonantes da prática e sem uso de morais universais para justificar interesses privados. Os temas ligados à sustentabilidade, por exemplo, geram impactos econômicos, tanto positivos como negativos, além disso, impactam ecossistemas e a comunidade de tal sorte que pode ser inviabilizada a perpetuação daquele negócio no médio e longo prazo. É nesse sentido que afirma Mervyn E. King, Presidente do Conselho de Administração da GRI- Global Reporting Initiative: “As pessoas, o planeta e os lucros não podem mais estar separados”.

No Brasil o desafio é ainda maior, pois o tecido social está impregnado pela corrupção, mas cabe aos jovens de hoje não comungar com essa bandalheira, de que tudo é na base do jeitinho. É preciso romper com o conformismo de que as coisas maléficas são imutáveis, um pouco de coragem, é disso que precisamos. O ilícito não pode ser parte integrante do dia a dia. Quando os profissionais chegam a ter vergonha de serem honestos, os maus gestores públicos e privados se propagam.

Cabe a todos nós fazermos a nossa parte e cabe às organizações fazerem a parte delas. O discurso de que “no Brasil não é bem assim, aqui, na prática a teoria é outra”, só nos leva para um caminho pior. No contexto presente, em que tudo é tão exposto, uma organização não esconde mais os danos causados à sociedade ou ela é responsável, ou ela não consegue discursar que o é.

 

dannydennyDanielle Mendes Thame Denny, professora, advogada, jornalista e colaboradora do Portal Ambiente Legal

 

 

 

 

 


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