A CONDENAÇÃO DE DEREK CHAUVIN E O RACIALISMO

A lição da morte de George Floyd

 

george-floyd

 

Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro*

A cidade americana de Minneapolis foi palco de uma tragédia emblemática: a morte de George Floyd.

Um vídeo gravado por pessoas que presenciaram a ação policial para a detenção e prisão de George, escancararam para o mundo a brutalidade da abordagem e o que demonstrou ser um ato de execução.

Os policiais envolvidos na operação foram demitidos com as desculpas expressas pelas autoridades, mas a frieza com a qual o policial Derek Chauvin estrangulou Floyd falou mais alto que qualquer escusa.

Processado criminalmente, Chauvin foi condenado por homicídio qualificado.

A Justiça se fez. Mas algo de fato me incomoda.

Nestes 36 anos de atividade profissional, atuei em milhares de processos, patrocinando a defesa de policiais militares, na justiça comum e militar. Como cidadão operador do direito, integrei a Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, sendo nomeado várias vezes pela presidência do Conselho Federal, como relator especial para investigar e apurar casos complexos de âmbito nacional.

Pude testemunhar casos graves de desrespeito aos mais comezinhos direitos da pessoa, discriminação e exclusão. Também enfrentei hipocrisias, esquerdismos, militância irresponsável e vitimismo.

A abordagem tratada no caso George Floyd foi de fato desastrosa. Revela o racismo estrutural e cotidiano seguidamente denunciado na atuação dos corpos policiais nos Estados Unidos (e não apenas lá).

Porém, me incomoda o populismo racialista protagonizado por grupos radicais em torno do assunto – nos EUA e aqui também no Brasil.

O populismo é uma tragédia. Ninguém ganha, todos perdem. O que sobra é o rancor social.

Racismo e racialismo são extremos de intolerância aparentemente opostos, porém próximos na ferradura que expressa o arco de posturas e ideologias identitárias do mundo político e social.

A meu ver, o resultado unânime do julgamento deve-se, não por conta da má ação praticada mas, primordialmente, ao fato do ex-policial ter se RECUSADO a testemunhar em defesa própria. Para o júri, a recusa é sinal de admissão integral da culpa.

Derek agiu mal, mas muito contribuiu para o fato trágico o procedimento padrão policial para o qual foi treinado. ISSO deverá, finalmente, mudar.

O grande aprendizado a ser absorvido nessa triste história é que no mundo transparente e globalizado atual, não há mais espaço para a intolerância, a insensibilidade burocrática e para o abuso no exercício da autoridade.

 

 

*Antonio Fafpp2ernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista e consultor ambiental. Sócio do escritório Pinheiro Pedro Advogados. Integrante do Green Economy Task Force da Câmara de Comércio Internacional, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros – IAB e da Comissão Nacional de Direito Ambiental do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB. É Editor-Chefe dos Portais Ambiente LegalDazibao e responsável pelo blog The Eagle View.  Twitter: @Pinheiro_Pedro. LinkedIn: http://www.linkedin.com/in/pinheiropedro

Fonte: The Eagle View
Publicação  Dazibao, 22/04/2021
Edição: Ana A. Alencar

 

As publicações não expressam necessariamente a opinião da revista, mas servem para informação e reflexão.

 

 

 


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