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“Dazibao” é uma expressão chinesa; significa jornal mural afixado na rua. Os chineses fizeram muito uso dos dazibaos durante a revolução cultural e nas lutas pela democratização, contra o regime comunista.

 

 

“Em 2050, metade da Amazônia estará desmatada", afirma especialista

“Em 2050, metade da Amazônia estará desmatada se as tendências se mantiverem assim. É preocupante e assustador o desmatamento da bacia amazônica”. Com este alerta, Virgílio Maurício Viana, ex-secretário do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, iniciou sua palestra no Comitê de Meio Ambiente da Câmara Americana de Comércio (Amcham), no último dia 24.

O encontro foi presidido pelo advogado Antonio Fernando Pinheiro Pedro, presidente do Comitê de Meio Ambiente, e pelo vice-presidente de sustentabilidade da entidade, Davis Tenório.

Em sua palestra, Viana apresentou o atual cenário do desmatamento na Amazônia, os principais problemas e desafios em relação ao meio ambiente, e as conseqüências que o desmatamento proporciona. O especialista lembrou ainda que a floresta amazônica corresponde a 40% de todas as florestas tropicais que restaram no mundo e que cerca de 50% das chuvas que atingem a região são geradas a partir da evaporação de água contida nas árvores e demais plantas da floresta. “O desmatamento e as queimadas na região alteram os níveis de vapor de água nas nuvens e causam efeitos sobre o regime de chuvas no centro-sul do país. No futuro, o problema poderá ocasionar prejuízos à agricultura e ao abastecimento de água na região sudeste”, afirmou.

Simone Araujo/Vacom
Virgílio Viana, ex-secretário do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, durante palestra

Para Viana, o principal aliado contra o desmatamento é a população, composta por uma grande diversidade de povos que preservam conhecimentos e tradições das matas. “Criamos a FAS (Fundação Amazônia Sustentável) com o objetivo de modificar paradigmas e aliar os moradores no controle do desmatamento. Queremos conscientizar as comunidades de que a floresta vale mais em pé do que deitada, e o programa foi criado com o conceito de uma instituição independente e transparente”, disse Viana.

Implantado no final do segundo semestre de 2007, o FAS possui conselhos de administração, de fiscalização e diretoria, e conta com parcerias de empresas privadas, como a Price Water House Cooper, DDL, Brain CO e BRAM (Bradesco).

Entre outras iniciativas, a FAS criou o “Bolsa Floresta”, com programas que beneficiam e conscientizam moradores de áreas de conservação que assinarem o compromisso de desmatamento zero. "Eles passam por um curso sobre o aquecimento global e assinam o compromisso. Além disso, damos uma bolsa às associações de moradores, ajudamos na geração de negócios sustentáveis e investimos em saúde, educação e transporte", afirmou Viana.

De acordo com o especialista, o projeto serve como referência a outras localidades brasileiras, como, por exemplo, o Estado de Tocantins, que já implantou lei de mudanças climáticas semelhantes à da Amazônia.

Na opinião do advogado Antonio Fernando Pinheiro Pedro, a exposição de Viana está relacionada à busca de saídas sustentáveis para a economia amazônica a partir do reconhecimento das economias locais e das comunidades. “Não adianta nada ignorarmos o fato de que milhões de pessoas morem em locais isolados da mata e não tenham funcionalidade econômica para as suas atividades relacionadas à questão ambiental”, disse.